Alunos humilhados nem sempre conseguem superar a violência sofrida no colégio
A humilhação sofrida por crianças e adolescentes nas escolas – o bullying, tem sido tema cada vez mais abordado e divulgado pelos mais diversos motivos. As diferenças que deveriam ser respeitadas são motivo de gozação por parte de alguns alunos e causam danos, muitas vezes irreparáveis, nas vítimas.
Em entrevista à Revista Veja (Edição 2213), a estudante L.B, 15 anos, contou o quanto sofre com as constantes depreciações. “Me chamam de feia, boca torta e até perguntam se eu estou grávida na bochecha”, relata a menina que tem uma doença congênita responsável por uma deformação em sua face direita. E completa: “Aproveitam para me humilhar quando os professores não estão olhando”. Ela não recebe nenhum tipo de amparo por parte do colégio estadual em que estuda.
Algumas sequelas duram a vida toda, mesmo após a formatura. “Até hoje, quando escuto um grupo dando risada do meu lado, meu coração dispara e me lembro do horror que eram os tempos de colégio”, recorda C.B, 28 anos, administrador de empresas. Ele foi vítima de trotes e agressões por colegas de escola apenas por tirar boas notas e ser muito ‘bonzinho’.
As agressões vão além de ofensas verbais. O impacto causado pode ser irreversível. As torturas psicológicas ocorrem, normalmente, por algum defeito. Gagueira, uso de óculos com lentes grossas, dificuldade de locomoção, obesidade e magreza excessiva, são exemplos. Mas os estudantes com notas mais altas também são vítimas por despertarem despeito por parte dos agressores.
As conseqüências do bullying são variadas e o colégio tem obrigação de interceder para evitar a expansão dessa violência. Juliana Afonso, 15 anos, também contou sua história à Revista Veja. O colégio em que estudava foi obrigado a lhe pagar 35 000 reais de indenização, devido à negligência perante o bullying sofrido pela garota por mais de uma década. A violência incluiu uma grave ferida em sua cabeça, com um lápis afiado.
